quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sensibilidade de Artista


Descobrir trabalhos de artistas que reverenciam a cultura local é sempre muito gostoso.
O prazer, o conhecimento, a cumplicidade, a experiência, a beleza, a simplicidade, o sabor peculiar, afluem em cada detalhe que integra essa obra.
E no momento em que entramos em contato com essa arte, sensibilizamo-nos, transcendemos o tempo e o espaço em que estávamos e adentramos em um universo particular e profundo.
Só então percebemos (que é mais do que entender!) que é a cultura que constroi o que chamamos de "Eu".

VEJA:
http://joaogasparilha.blogspot.com/

domingo, 12 de outubro de 2008

Fábulas de Ambrose Bierce

A Cigarra e a Formiga
Certo dia, no inverno, uma Cigarra faminta pediu a uma Formiga um pouco da comida que esta guardara.
– Por que – disse a Formiga – você não guardou um pouco de comida para si em vez de ficar cantando o tempo todo?
– Assim fiz – falou a Cigarra – assim fiz; mas suas colegas apareceram e carregaram-na toda.

A Raposa e as Uvas
Uma Raposa, vendo algumas uvas verdes pendendo a uma polegada de seu focinho, e relutando em admitir que existia algo que não poderia comer, solenemente declarou que elas estavam fora de seu alcance.

O Princípio Moral e o Interesse Material
Um Princípio Moral se encontrou com um Interesse Material numa ponte, larga o suficiente para a passagem de apenas um.
– Deite-se, ser desprezível! – trovejou o Princípio Moral – e deixe-me passar sobre você!
.O Interesse Material simplesmente o olhou nos olhos, sem dizer qualquer coisa.
– Ah! – disse o Princípio Moral, hesitante – vamos tirar a sorte para ver qual se afastará até que o outro tenha cruzado.
O Interesse Material manteve um silêncio inquebrantável e um olhar firme.
– A fim de evitar um conflito – recomeçou o Princípio Moral, algo inquieto – vou deitar-me e deixá-lo caminhar sobre mim.
Então, o Interesse Material encontrou uma língua, por uma estranha coincidência sua própria língua.
– Não penso que você seja um chão muito bom – falou. – Sou um pouco exigente com o que tenho sob os pés. Suponha que você pule na água.
E assim ocorreu.
Tradução de Marcelo Bueno de Paula

Ambrose Bierce (1842-1913/14?): jornalista e escritor norte-americano. Serviu ao exército de Lincoln na Guerra de Secessão, posteriormente se notabilizando por sua atuação polêmica na imprensa e por suas histórias de guerra e horror. Sua escrita extremamente irônica e amarga valeu-lhe o apelido de “Bitter Bierce” (Amargo Bierce). Desapareceu sem deixar vestígios no México da Revolução, sendo sua morte um mistério. Principais obras: In the midst of life (No meio da vida - 1892), Can such things be? (Tais coisas podem acontecer? - 1893), Fantastic fables (Fábulas fantásticas - 1899) e The Devil´s dictionary (O dicionário do Diabo - 1911).

Veja mais fábulas e originais em inglês
http://marcelobp.blogspot.com/2008/02/sete-fbulas-de-ambrose-bierce.html

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

50 anos de Bossa Nova

Claudete Soares, Alaide Costa e Cláudia Telles
debatem e cantam 50 anos de Bossa Nova.

Áudio: Primeira Parte



Áudio: Segunda Parte


Áudio: Terceira Parte

De cima para baixo: Cláudia Telles, Alaide Costa e Claudete Soares

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

sábado, 20 de setembro de 2008

Utilidade II

"Afirmam alguns que surge primeiro a Religião, em uma relação de sentimentos contemplativos pela natureza. Para se explicar os pensamentos gerados e a ausência de resposta consciente do meio circundante, surge a Filosofia explicando os paradoxos. Na tentativa de dominar os processos pela reprodução, vemos surgir o que se chama 'Ciência'. Estas três vertentes juntas, diluídas e ainda diáfanas vão sugerir e definir a identidade dos seres, dos grupos, das comunidades, das nações.
Mas é a Arte que a frente, vai emprestar a manifestação humana a plasticidade e recursos das suas linguagens para que ela em humanidade, possa interpretar e reproduzir a realidade e então definir e expressar o que chamamos identidade. Por isso a Arte tem o seu pé atado a Cultura, e lá não está atada de igual maneira a Filosofia, a Ciência ou a Religião. Não de igual maneira. Por isso a arte pelo encanto das suas utilidades se faz
incompreendida."

Arte e Direito


"Eu por uma feliz coincidência tive o direito a arte. Direito a arte é ter o direito de entrar em sintonia com 'toda a humanidade'. Direito que só se dá através da arte. O direito de ser humano, demasiado humano".

Friedric Wilhem Nietsche in "Obras Incompletas".

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Para Refletir


“Como sobreviver ao murchar de um sentimento que não murcha?”
Inês Pedrosa - Escritora Portuguesa


CONHEÇA:
http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%AAs_Pedrosa

sábado, 6 de setembro de 2008

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Utilidade I

“Entre as coisas que emprestam ao artifício humano a estabilidade sem a qual ele jamais poderia ser um lugar seguro para os homens, há uma quantidade de objetos estritamente sem utilidade e que, além disso, por serem únicos, não são intercambiáveis, assim sendo, não são passíveis de igualação através de um denominador comum como o dinheiro; se expostos ao mercado de trocas, só podem ser apreçados arbitrariamente. Além disso, o devido relacionamento do homem com uma obra de arte não é “usá-la”, pelo contrário, ela deve ser cuidadosamente isolada de todo o contexto dos objetos de uso comuns para que possa galgar ao seu lugar devido no mundo … a arte assim sobreviveu magnificamente à sua separação da religião, da magia e do mito”.

Hannah Arendt, em seu livro A Condição Humana, no capitulo “A permanência do Mundo e a Obra de Arte”.

http://www.culturaemercado.com.br/post/cultura-e-pensamento-10-os-equivocos-que-envolvem-a-arte-e-o-ensino/#more-3819

Projeto de Nação


"O governo conseguiu a incorporação na economia de quase 30 milhões de brasileiros que migraram para a classe C, aumentaram seu poder aquisitivo. Mas não basta mudar o poder aquisitivo. Um projeto de nação, de um novo ciclo de desenvolvimento no Brasil tem de associar essa redução da desigualdade e o aumento do poder aquisitivo à educação e à cultura. A educação já está consolidada como um universo compreendido pela sociedade como tal. A cultura está começando agora, e vai ter de ter em algum momento responsabilização do Estado através da dotação orçamentária. Isso é inevitável”.

Juca Ferreira, Ministro da Cultura.

http://www.culturaemercado.com.br/post/juca-ferreira-pretende-criar-vale-cultura/#more-4528

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Maestro

Da banda municipal às grandes orquestras

"Eleazar de Carvalho nasceu em Iguatu, pequeno município do interior do Ceará, em 28 de julho de 1912. Iniciou os estudos de música ainda criança em sua cidade natal, onde atuou na banda musical. Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro e ingressou na Marinha. Tocava tuba na Banda do Batalhão Naval. Foi músico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro e estudou com o compositor Francisco Mignone. Para dar impulso à sua trajetória, o maestro decidiu, por conta própria, mudar-se para os Estados Unidos. Seu objetivo, tido como “uma excentricidade” pelos mais próximos, era reger uma das três grandes orquestras norte-americanas da época: Boston, Filadélfia ou Nova York. Em 1946, ele finalmente embarcou, com a cara e a coragem, para a América. Lá, bateu literalmente de porta em porta oferecendo-se para atuar como regente. “O titular da Orquestra da Filadélfia achou a atitude de Eleazar ousada e absurda. Tanto que disse a ele para que fosse reger uma orquestra do interior e voltasse somente dali a 20 anos”.

Determinado, o maestro brasileiro não deu ouvidos ao “conselho”. Ao tomar conhecimento sobre o festival de música erudita que ocorreria em Massachusetts, cujo formato inspirou o Festival de Inverno de Campos do Jordão, Eleazar de Carvalho abalou-se até lá. Seu intento era ser admitido como aluno do consagrado Sergey Koussevitzky, que daria um curso durante o evento. Como as inscrições já tivessem sido encerradas, o brasileiro decidiu lançar mão de uma estratégia heterodoxa, por assim dizer. Para ser recebido por Koussevitzky, mentiu que era portador de uma mensagem do presidente do Brasil para o famoso maestro. Assim que foi recebido, admitiu a farsa, mas pediu uma chance ao interlocutor.

O brasileiro teria dito: “Deixe-me reger por apenas cinco minutos. Se não me aprovar, irei embora”. Não apenas foi aprovado, como em pouco tempo tornou-se assistente de Koussevitzky, ao lado do também conhecido Leonard Bernstein. Um ano e meio após ter sido quase enxotado, Eleazar de Carvalho regeria a Orquestra da Filadélfia como convidado. “Depois disso, ele teve uma carreira cada vez mais ascendente. Não apenas regeu as três mais importantes orquestra norte-americanas, como havia almejado, como esteve à frente das maiores orquestras do mundo”. Entre os ex-alunos de Eleazar de Carvalho estão nomes importantes como Claudio Abbado, Zubin Metah, Seiji Ozawa, Gustav Meier, David Wooldbridge, Harold Faberman e Charles Dutoit.

O maestro brasileiro permaneceu nos Estados Unidos até o começo da década de 70, embora viesse esporadicamente ao Brasil. Em 1972, ele voltou definitivamente ao seu país, onde daria continuidade à carreira, mas com um viés diferente. Aqui, ele reorganizou a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), reformulou o Festival de Inverno de Campos do Jordão e criou programas para a concessão de bolsas de estudos para jovens instrumentistas brasileiros. O regente morreu em 12 de setembro de 1996, em São Paulo".

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/agosto2008/ju403pag9.html

domingo, 24 de agosto de 2008

Imagem do Dia!

Grand Spiral Galaxy NGC 1232

O Sono

Poesia I

Seja paciente com tudo o que não há solucionado em seu coração
E procure amar as próprias perguntas.

Não procure as respostas que não lhe podem ser dadas
Porque não poderia vivê-las.

Talvez gradativamente e sem perceber
Chegue a viver algum dia distante as respostas.

Rain
er Maria Rilke

E se...


"Brincando com idéias, fico imaginando se o homem não sentisse orgasmo. O destino do mundo provavelmente seria outro. Os homens não ofereceriam perigo sexual. As mulheres poderiam sair às ruas tranquilamente, sem temor de ser sexualmente atacadas. O homem preferiria ficar caçando, jogando bola ou fazendo qualquer outra coisa mais gratificante, em vez de ter relações sexuais. Mas a espécie humana não entraria em extinção porque as mulheres não resistiram à idéia de ter filhos e iriam estuprar os homens. E, já que seria dela o desejo de ter filhos, ela teria também de sustentar o homem!"
Içami Tiba (O Prazer e o Pensar)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Agruras de uma língua viva!

Ponto-e-vírgula; Morto?

"Num artigo recente para o “Boston Globe”, Jan Freeman comenta a queda em desgraça do ponto-e-vírgula, que não vem de hoje. Segundo um estudo restrito à língua inglesa, sua incidência teria despencado de 68,1 para 17,7 (por mil palavras) entre os séculos 18 e 19. O século 20 não é mencionado, mas suponho que um levantamento semelhante encontraria esse sinal de pontuação – “que indica pausa mais forte que a da vírgula e menos que a do ponto”, segundo o Houaiss – chegando perto de encostar no zero à medida que nos aproximássemos do 21.

Kurt Vonnegut, que chamava o ponto-e-vírgula de “travesti hermafrodita”, foi apenas um dos escritores que ajudaram a difamá-lo como figurinha pedante, esnobe, cricri, desprovida de sentido e até, na formulação machista de um de seus detratores, mariquinhas.

Acho um exagero. Embora procure usar o ponto-e-vírgula com a maior parcimônia possível – basicamente em enumerações em que um ou mais elementos contenham vírgulas internas, caso em que ele é indispensável à clareza – e não o recomende efusivamente a quem está em busca de um estilo, prefiro pensar nele como mais um recurso no arsenal da língua.

Se até a insuportável mesóclise deve ter – coisa rara, mas tese é tese – o seu lugar, não convém fazer como aquele crítico diante da rima e condenar o ponto-e-vírgula de forma inapelável. Recursos desgastados existem para que escritores de talento os reabilitem."

http://sergiorodrigues.ig.com.br/ponto-e-virgula-morto

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Sacada!


"Uma Big Band executando grandes arranjos de "clássicos do rock". Um experiente frontman "reciclado". Produção meticulosa. Resultado: sucesso. Paul Anka (foto) "ressurgiu" há alguns anos com esta proposta, no mínimo, curiosa!"
Silmar Oliveira


OUÇA:
http://www.lastfm.com.br/music/Paul+Anka/_/Wonderwall

ASSISTA:
http://www.youtube.com/watch?v=TsS811o21-k

LEIA:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paul_Anka

ENTREVISTA:
http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/2008/07/31/entrevista_paul_anka_autor_de_my_way_mantem_devocao_a_musica_1484606.html

SITE OFICIAL:
http://www.paulanka.com/

sábado, 2 de agosto de 2008

O que estou ouvindo I

Esbjörn Svensson Trio


"Esbjörn Svensson Trio (ou E.S.T.), é um trio suéco de jazz formado em 1990, pelo pianista Esbjörn Svensson, e conta ainda com Dan Berglund no baixo e Magnus Öström na percussão. A união destes músicos resulta em um dos maiores grupos do jazz moderno, caracterizado por sua inovação e versatilidade. Algumas de suas composições já viraram clássicos do estilo."
http://www.lastfm.com.br/
OUÇA:
http://www.lastfm.com.br/music/Esbj%C3%B6rn+Svensson+Trio

ASSISTA:
http://www.youtube.com/watch?v=E3l8lVXWk-I

LEIA:
Morre o pianista sueco Esbjörn Svensson
http://www.sojazz.org.br/2008/06/morre-o-pianista-sueco-esbjorn-svensson.html

SITE OFICIAL:
http://www.est-music.com/

Traça & Tralhas

Traça
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1. (S.) - risco, traçado, desenho, planta
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2. (S.) - disposição, organização
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3. (S.) - esboço, rascunho, plano, projeto
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Tralhas

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1. (S.) - afavecos, bagulho, brogúncias, brugúncias, bundá, cacareco, cacarecos, cacarenos, cacaréus, cacaria, cacos, candimbá, caraminguás, muafos, mucufos, mucumbagem, mucumbu, quimbembes, tareco, tarecos, tralha, tralhada, trastes, troço, xurumbambo
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2. (S.) - acessório, parafernália, peça, pertence
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