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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Rompendo com esteriótipos

A notícia é do início deste ano mas nem por isso defasada para incitar ainda mais o debate sobre a importância da educação pública e cultura.


Universidade Federal de Pernambuco - Música e Escola Pública em primeiro lugar

por Elba Galindo

A Comissão de Vestibular (Covest) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) divulga os nomes dos primeiros colocados no processo seletivo 2011. Para quem esperava encontrar medicina mais uma vez no topo da lista, surpresa: os três primeiros colocados são do curso de música e estudantes de escola pública.

O estudante que ficou em primeiro lugar foi Davi Barbosa Campos, com nota 8,5923. Ele concorria a uma vaga no curso de bacharelado em música, com habilitação em clarinete. É aluno de escola pública e morador de Abreu e Lima, na Grande Recife.

O segundo lugar ficou com Altair Silveira dos Santos, também do curso de música (licenciatura), obteve nota 8,4860 e o terceiro lugar foi para Sarah Santos Moura (8,4784), que também disputou vaga para o mesmo curso [música licenciatura].

Medicina, que tradicionalmente fica com os primeiros lugares, apareceu apenas em 6º e sua concorrência foi de quase 30 candidatos por vaga. Já o primeiro colocado em Direito ocupou o 4º lugar. A concorrência de música/instrumento/clarinete, que garantiu o primeiro lugar para Davi, teve apenas quatro candidatos por vaga.

Dos dez primeiros colocados, três foram do curso de música.

domingo, 6 de março de 2011

A Morte Iminente do Balé

por Francisco Quinteiro Pires.
Veja integra com entrevista em link no final da postagem.

Jennifer Homans, ex-bailarina, autora de 
Apollo´s Angels.

A técnica do balé e o seu desenvolvimento formal são a essência de Apollo"s Angel - A History of Ballet (Random House, 648 págs., US$ 35). Publicado no fim do ano passado e eleito pelo New York Times um dos melhores livros de 2010, narra o desenvolvimento do balé durante os três últimos séculos.

A explicação para o título do livro vem de uma necessidade de superação. Segundo Jennifer, os bailarinos apreciam o deus pagão Apolo porque ele representa a ideia de um físico nobre, estruturado em proporções perfeitas. "Apolo explica por que uma contusão ganha no balé uma dimensão moral", diz. Além de representantes do erotismo, os anjos simbolizam o desejo do dançarino de tirar o pé do chão, primeiro passo para se aproximar da divindade. Os bailarinos, segundo a autora, não querem ser parecidos com o restante da humanidade. O significado de Apollo"s Angels revela uma das linhas de pensamento de Jennifer, para quem o balé precisa ser admirado pelo seu conjunto de princípios e não só pela sua performance atlética.
A ruína de uma arte incapaz de se inovar.

Jennifer teve de enfrentar uma barreira, à primeira vista, intransponível. A tradição do balé é oral, passa de uma geração para outra pelo contato entre professor e aluno. A ausência de registros escritos obrigou a autora a reproduzir no estúdio de dança os fragmentos de obras perdidas. Sob essa delicada perspectiva, ela pôde debater a evolução dessa arte que nasceu no seio da aristocracia francesa do século 16. Para Jennifer, o que foi criado como etiqueta aristocrática pode ser lido como um acontecimento político. "O balé será mais bem compreendido se analisado à luz das mudanças políticas e intelectuais dos últimos séculos."


Publicado Originalmente em O Estado de S.Paulo - 06/03/11.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Financiamento à cultura

* Trecho do livro O Poder da Cultura, de Leonardo Brant, publicado em www.culturaemercado.com.br/ideias/financiamento-a-cultura/


























O financiamento público de cultura deve abarcar diferentes dimensões de uma política cultural, com instrumentos adequados para cada tipo necessidade.

A base da pirâmide é a infra-estrutura, necessária para o desenvolvimento de todas as outras funções.

No topo, a indústria cultural.

Todo o investimento que visa garantir os direitos culturais ao cidadão é responsabilidade constitucional do Estado.

Isso inclui:

· Criar e manter equipamentos culturais;

· Valorizar o patrimônio;

· Formar e informar o cidadão;

· Oferecer acesso à tecnologia de informação e comunicação.

Assim como o fluxo econômico depende de infra-estrutura viária e energética, o país precisa de um investimento de base que desenvolva o fluxo simbólico.

O potencial simbólico de um povo e de uma nação está intimamente ligado sua capacidade de desenvolvimento artístico, estético, de linguagem e de mercado.

O Brasil precisa desenvolver fundos públicos autônomos, qualificados e com orçamento para lidar com essa emergência

O fomento não pode estar à mercê do mercado, tampouco sujeito às intempéries do governante de plantão.

Há uma grande concentração de iniciativas localizada entre o experimentalismo e a indústria.

Nosso modelo de financiamento precisa incentivar o empreendedorismo, possibilitando o diálogo com o mercado, ao mesmo tempo que se pensa e se estruture como atividade artístico-cultural.

Os mecanismos de mecenato, já existentes e consolidados, precisam se readequar para atender a essa imensa demanda.

As indústrias culturais estão entre os setores econômicos que mais crescem no mundo, auxiliando na exportação de produtos brasileiros, gerando empregos e recolhimento de impostos.

Elas necessitam de incentivo direto para ampliar sua capacidade operacional, como redução da carga tributária ou concessão de empréstimos subvencionados.