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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Rompendo com esteriótipos

A notícia é do início deste ano mas nem por isso defasada para incitar ainda mais o debate sobre a importância da educação pública e cultura.


Universidade Federal de Pernambuco - Música e Escola Pública em primeiro lugar

por Elba Galindo

A Comissão de Vestibular (Covest) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) divulga os nomes dos primeiros colocados no processo seletivo 2011. Para quem esperava encontrar medicina mais uma vez no topo da lista, surpresa: os três primeiros colocados são do curso de música e estudantes de escola pública.

O estudante que ficou em primeiro lugar foi Davi Barbosa Campos, com nota 8,5923. Ele concorria a uma vaga no curso de bacharelado em música, com habilitação em clarinete. É aluno de escola pública e morador de Abreu e Lima, na Grande Recife.

O segundo lugar ficou com Altair Silveira dos Santos, também do curso de música (licenciatura), obteve nota 8,4860 e o terceiro lugar foi para Sarah Santos Moura (8,4784), que também disputou vaga para o mesmo curso [música licenciatura].

Medicina, que tradicionalmente fica com os primeiros lugares, apareceu apenas em 6º e sua concorrência foi de quase 30 candidatos por vaga. Já o primeiro colocado em Direito ocupou o 4º lugar. A concorrência de música/instrumento/clarinete, que garantiu o primeiro lugar para Davi, teve apenas quatro candidatos por vaga.

Dos dez primeiros colocados, três foram do curso de música.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Professores Digitais



Quando encontra dificuldade para ajudar o filho na lição de casa, Bill Gates aciona o professor Salman Khan. "Tudo fica fácil", diz Gates, que, nos últimos anos, vem gastando dezenas de milhões de dólares em sua fundação para descobrir novos jeitos de educar.

Filho de família da Índia e de Bangladesh, Khan tem um currículo capaz de impressionar qualquer gênio: no MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts), fez matemática, engenharia elétrica e ciência da computação; em Harvard, administração. Mas o que impressiona mesmo Gates é o valor das aulas: são de graça e acessíveis a qualquer um - aliás, neste momento, se quiser, você também pode entrar na internet e receber as mesmas aulas.

Khan foi um dos personagens que influenciaram Gates a escrever um texto em que sugere a substituição dos professores convencionais por aulas, acompanhadas de exercícios, gravadas com recursos multimeios por professores como Khan e distribuídas para todos. "É melhor uma boa aula desse tipo do que as dadas por professores medíocres", provoca o criador da Microsoft.


Muita gente está levando a sério a possibilidade de as novas tecnologias exterminarem o professor como o conhecemos. Haveria uma radicalização do ensino a distância. Já há recursos para que um curso seja dado sem interferência humana. As aulas são gravadas e todos os debates, exercícios e notas são feitos por um programa de computador.


Autor da ideia de um computador por criança, Nicholas Negroponte me disse que está preparando uma experiência para ser lançada em comunidades da África e da Ásia que têm alto índice de analfabetismo. Quer deixar num lugar público computadores conectados à internet para ver como e se as crianças conseguem aprender a ler e a escrever sozinhas. "Cada vez mais o conhecimento vai ser transmitido fora da sala de aula", comentou.


Esse tipo de recurso pode ajudar muito os alunos, especialmente os mais pobres, mas duvido que possa atingir a excelência sem que se viva num ambiente criativo, estimulante, com trocas entre alunos e professores motivados. Qualquer um pode acessar aulas do MIT ou de Harvard, entre outros grandes centros de ensino. Outra coisa é entrar num laboratório e acompanhar, por exemplo, o nascimento de um carro capaz de estacionar sozinho. Esse projeto é desenvolvido no AgeLab, que se dedica a criar produtos e serviços para idosos. Já está criando roupas e acessórios para os mais velhos evitarem acidentes.

Estou aqui em Harvard experimentando uma poderosa combinação do virtual com o presencial, num curso sobre experiências educativas internacionais. Cada aula se transforma num fórum na internet entre os estudantes, conduzido por três monitores. Daí surgem outros fóruns autônomos para cada comentário. Para aprofundar as questões, a classe, separada em três grupos, reúne-se presencialmente.

O professor mistura as aulas expositivas com depoimentos de convidados do mundo inteiro, que, a distância, ilustram os textos curriculares. Um explica como usa a tecnologia para melhorar o ensino em áreas rurais da Índia, outro conta como cria bibliotecas em remotas vilas da Ásia ou da África. Depois da exposição, os convidados respondem às questões dos estudantes. Tudo é gravado e postado na rede.

Tecnologia alguma, porém, supera o entusiasmo de um professor como Fernando Reimers. Ele viaja pelo mundo para conhecer experiências educacionais e participa de algumas delas. Não há software capaz de competir com essa paixão.

O que veio para ficar foi o fato de as informações circularem, criando a possibilidade de que o mundo se converta numa imensa comunidade de aprendizagem. Existem sinais por todos os lados.

Um dos negócios que prosperam no mundo digital são páginas abertas a perguntas que são respondidas por leitores. A diferença agora é que empresas estão contratando especialistas para dar respostas quase imediatamente. Há redes sociais em que se podem aprender todas as línguas importantes. Em outras páginas, são ensinadas expressões e gírias que acabam de surgir. Aprende-se espanhol com alguém que está na Argentina ou na China.

O que vai mudar é que o professor que despeja automaticamente os conteúdos será mesmo dispensável, pois será mais caro e menos eficiente do que uma tela de computador.


domingo, 10 de janeiro de 2010

Música e Educação.



Estamos vivenciando um dos mais importantes momentos da música no Brasil. O retorno do ensino musical no ensino fundamental e médio de todo o país. Jamais deveria ter deixado a grade curricular.

Mas são tantos os pontos a serem discutidos para que mais essa iniciativa não se torne apenas simbólica, ou que acabe apenas engrossando o rol das atividades didáticas do velho esquema "fingindo que ensina para quem finge que aprende com aval de quem finge que acredita". Ou ainda, que se torne mais uma disciplina tecnicista, conteudista, a ser decorada visando algum concurso.

Encontrei uma postagem de um colega, músico, brasileiro, pofessor universitário. Maestro Vladimir Silva. Lá ele aborda de forma clara muito dessas variáveis. Vale a pena ler: http://3.ly/LIW.

Falei do momento importante porque cultura é na verdade a essencia, a alma, de um povo, de uma comunidade. Sabemos do status internacional de que a música brasileira desfruta. Contudo qual é esse mesmo status dentro de nossas fronteiras? Que música os brasileiros ouvem? Por quê?

Educar é confrontar a realidade e os conhecimentos do educando com novos e expansivos conceitos e saberes. Eis a oportunidade para a diversidade cultural, musical, a criatividade dos artistas brasileiros, profissionais ou de alma, ganharem o verdadeiro destaque que merecem.
Formar músicos? Não sei. Ajudar na formação de seres humanos, sim. Sensibilidade e raciocínio estimulados e desenvolvidos, como já comprovado, pelo estudo de música, de arte. Pessoas mais conscientes de si próprias. Público mais seletivo quanto à qualidade duvidosa da música produzida pela industria cultural. Seres humanos mais críticos. Platéias mais criteriosas. Cultura mais complexa em evidência propiciando o desenvolvimento de seres humanos mais próximos da plenitude. Mais felizes.

Esse é o momento de decidirmos se iremos realmente trabalhar para implantar a educação musical nas escolas ou se iremos agregar mais uma disciplina que preencha a grade curricular e infelizmente acabe se tornando mais um momento de despretensioso, ou pior, restritivo entretenimento.